Escritório: falta de paredes cria a sensação de que todos estão disponíveis o tempo todo
Risadas, conversas em voz alta e interrupções frequentes são parte da rotina de quem trabalha em escritórios abertos.
De fora, o ambiente parece leve e descontraído, mas a agitação cobra um preço alto quando o assunto é produtividade.
Segundo a revista Scientific American, a exposição ao ruído atrapalha a concentração e diminui a memória. O barulho também aumenta a incidência de estresse e de problemas relacionados a ele, como enxaqueca, úlceras e até pressão alta.
Mas quando - e, principalmente, por quê - começamos a trabalhar em escritórios abertos?
De acordo com Rubens Pimentel, sócio da Ynner Treinamentos, a ideia de
remover as paredes dos escritórios surgiu entre os anos 1970 e 1980, com
o intuito de promover o trabalho colaborativo.
Na época, a novidade trouxe ganhos importantes. A queda das barreiras
físicas permitiu que colegas conversassem e tomassem decisões de forma
menos burocrática. Resultado: menos reuniões, mais agilidade.
A situação mudou de figura com a popularização da internet e das
tecnologias de comunicação. “Passamos a ser invadidos por e-mails,
mensagens e notificações, e transferimos essa cultura da interrupção
para o nosso comportamento”, diz Rubens.
Em termos práticos, isso significa que um colega de trabalho ansioso
não vai pensar duas vezes antes de ir até a sua mesa para tirar uma
dúvida - mesmo se você estiver profundamente concentrado na sua tarefa.
O desperdício de tempo não é pequeno. Após uma ruptura de atenção,
demoramos cerca de 23 minutos para voltar à nossa tarefa original,
segundo Gloria Mark, especialista em distração digital ouvida pelo The Wall Street Journal.
Mar de olhos e ouvidos
Em parte, o problema das interrupções nos escritórios abertos decorre da sensação de que todos estão disponíveis o tempo todo. Mas há um lado bom nessa arquitetura: a proximidade física também se torna simbólica.
Mar de olhos e ouvidos
Em parte, o problema das interrupções nos escritórios abertos decorre da sensação de que todos estão disponíveis o tempo todo. Mas há um lado bom nessa arquitetura: a proximidade física também se torna simbólica.
Isso porque a ausência de barreira transmite uma ideia de hierarquia
suavizada. “As pessoas se sentem mais à vontade para falar com seus
superiores se não há paredes entre eles” diz a coach Silvana Mello, da
consultoria LHH|DBM.
Por outro lado, o mesmo design que aproxima as pessoas também pode
sufocá-las. “Como todos veem e escutam todos, muitas pessoas se sentem
observadas, invadidas, sem privacidade para falar ao telefone, por
exemplo”, diz ela.
Não é paranoia: a sensação de monitoramento prejudica a satisfação com o trabalho e até o desempenho profissional, de acordo com um artigo publicado no periódico Academy of Management Journal.
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